sexta-feira, 22 de junho de 2018

Não digam que fui rebotalho


Não digam que fui rebotalho,
que vivi à margem da vida.
Digam que eu procurava trabalho,
mas sempre fui preterida.
Digam ao povo brasileiro
que meu sonho era ser escritora,
mas eu não tinha dinheiro
para pagar uma editora.

Carolina Maria de Jesus (1914-1977)


50 poemas de revolta. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p75



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