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domingo, 20 de maio de 2018

Os embalsamadores



Há no Egito certas pessoas encarregadas por lei de realizar os embalsamentos e que fazem disso, profissão. Quando elas trazem um corpo, mostram aos portadores modelos em madeira, pintados ao natural. O mais digno de atenção representa, segundo eles dizem, aquele cujo nome tenho escrúpulos de mencionar aqui. Mostram depois um segundo modelo, inferior ao primeiro e mais barato, e ainda um terceiro, perguntando, então, por que modelo querem que seja o morto embalsamado. Combinado o preço, os parentes retiram-se. Os embalsamadores trabalham em suas próprias casas e eis como procedem nos embalsamentos mais caros: primeiramente, extraem o cérebro pelas narinas, parte com um ferro recurvo, parte por meio de drogas introduzidas na cabeça. Fazem, em seguida, uma incisão no flanco com pedra cortante da Etiópia e retiram, pela abertura, os intestinos, limpando-os cuidadosamente e banhando-os com vinho de palmeira e óleos aromáticos. O ventre, enchem-no com mirra pura moída, canela e essências várias, não fazendo uso, porém, do incenso. Feito isso, salgam o corpo e cobrem-no com natro, deixando-o assim durante setenta dias. Decorridos os setenta dias, lavam-no e envolvem-no inteiramente com faixas de tela de algodão embebidas em “commi” (goma arábica), de que os Egípcios se servem ordinariamente como cola. Concluído o trabalho, o corpo é entregue aos parentes, que o encerram numa urna de madeira feita sob medida, colocando-a na sala destinada a esse fim. Tal a maneira mais luxuosa de embalsamar os mortos.

Heródoto (484- 443 aC ?)

História. Tradução de J.Brito Broca. Rio de Janeiro: Edições Ouro, 1968. p 182-83