domingo, 3 de junho de 2018

Intelectuais acadêmicos


O ambiente, os hábitos e a linguagem dos intelectuais sofreram transformações nos últimos cinquenta anos. Os intelectuais mais jovens não necessitam ou desejam um público mais amplo; quase todos são apenas professores. Os campi são seus lares; os colegas, sua audiência; as monografias e os periódicos especializados, seu meio de comunicação. Ao contrário dos intelectuais do passado, eles se situam dentro de especialidades e disciplinas - por uma boa razão. Seus empregos, carreiras e salários dependem da avaliação de especialistas, e esta dependência afeta as questões levantadas e a linguagem empregada.
[...] Os acadêmicos escrevem para publicações especializadas que, diferentemente dos pequenos periódicos, criam sociedades insulares. A questão não é a circulação de uns e de outros - publicações especializadas enviadas a assinantes podem registrar uma circulação bem maior do que pequenas revistas literárias - mas o relacionamento diferente com o público leigo. Os professores compartilham um jargão e uma disciplina. Reunindo-se em conferências anuais para trocar informações, eles constituem seu próprio universo. Um "famoso" sociólogo ou historiador de arte é famoso para outros sociólogos ou para outros historiadores de arte, ninguém mais. À medida que se tornavam acadêmicos, os intelectuais não tinham necessidade de escrever de modo compreensível a um público leigo; não o fizeram, e acabaram perdendo a capacidade de fazê-lo.

Jacoby, Russell (1945-)

Os últimos intelectuais. Tradução de Magda Lopes. São Paulo: Trajetória Cultural: Editora da Universidade de São Paulo, 1990. p 19 e 20



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