domingo, 14 de outubro de 2018

Três perguntas


Do pano de fundo da reflexão que trago, feita nos últimos anos, brotam três questões sobre o trabalho, perguntas genuínas que não podem ser respondidas numa única frase e que dizem respeito a experiências realizadas na Europa a partir dos anos 1990:
  1. Como é possível que operários cujos avós precisavam quase ser espancados para ir ao trabalho na segunda-feira suportam hoje uma greve de fome de cem dias de duração para conservar um empreguinho miserável?
  2. Como é possível que o trabalho tenha se transformado no único registro de organização social? E como se explica que o trabalho não dispõe mais de nenhuma instância contrária que possa ser levada a sério?
  3. Como se explica que uma sociedade que apostou tudo, mas tudo mesmo, na carta trabalho, agora se veja obrigada a rasgar esta única carta, a única carta do seu jogo, e assim fazer com que o trabalho e, por conseguinte, a identidade sejam desvalorizados?


 Kamper, Dietmar (1936-2001)


O trabalho como vida. [org.] Cleide Riva Campello. Tradução de Peter Naumann e Norval Baitello Junior. São Paulo: Annablume, 1997, p 13.

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