Coletânea de excertos sobre as várias faces do trabalho, escolhidos a partir de muitas e prazerosas leituras de textos literários e afins (com algumas ilustrações)
segunda-feira, 23 de junho de 2025
sexta-feira, 13 de junho de 2025
terça-feira, 20 de maio de 2025
segunda-feira, 12 de maio de 2025
Habilidade artesanal
O maior bem do trabalhador assalariado tem sido sua habilidade artesanal. Normalmente, entendemos como habilidade artesanal a habilidade de manipular habilmente as ferramentas e materiais de um ofício ou função. Mas a verdadeira habilidade artesanal é muito mais do que isso. O elemento realmente essencial não é a habilidade manual e a destreza, mas algo guardado na mente do trabalhador. Esse algo é, em parte, o conhecimento íntimo das características e usos das ferramentas, materiais e processos do ofício que a tradição e a experiência deram ao trabalhador. Mas além e acima disso está o conhecimento que lhe permite entender e superar as dificuldades que constantemente surgem das variações não apenas dos materiais e ferramentas, mas das condições sob as quais o trabalho deve ser feito.
No passado, em geral, a manipulação
habilidosa das ferramentas e materiais e esse ofício do cérebro estavam reunidos
na pessoa do trabalhador e eram de sua posse. E é essa posse única do
conhecimento artesanal e da habilidade artesanal por parte de um corpo de
trabalhadores assalariados, ou seja, sua posse dessas coisas e a ignorância do
empregador a respeito delas possibilitou aos trabalhadores se organizarem e
imporem melhores termos aos empregadores. Dessa posse exclusiva depende, mais
do que qualquer outro fator, a força do sindicalismo e a capacidade dos
sindicatos de melhorar as condições de seus membros.
Sendo isso verdade, é evidente que o maior
golpe que poderia ser dado contra o sindicalismo e os trabalhadores organizados
seria a separação do conhecimento artesanal da habilidade do oficio.
Robert Franklin Hoxie
(1868-1916)
Scientific Management and labor. New York, London. D. APPleton and Company, 1915. https://archive.org/details/scientificmanage00hoxi/page/n17/mode/2up .
Tradução minha
quinta-feira, 1 de maio de 2025
domingo, 27 de abril de 2025
sexta-feira, 25 de abril de 2025
sexta-feira, 18 de abril de 2025
sábado, 5 de abril de 2025
sexta-feira, 4 de abril de 2025
quarta-feira, 2 de abril de 2025
domingo, 30 de março de 2025
quinta-feira, 27 de março de 2025
Primeiro encontro entre espanhóis e povos originários na América do Norte
[...] No outro dia seguimos adiante, indo a outra casa, onde comiam as mesmas coisas, mas onde já apresentaram uma nova maneira de nos receber. Estes [indígenas] não vieram ao nosso encontro, simplesmente colocaram o que queriam nos dar no meio da casa e sentaram-se em volta, virados para a parede, com a cabeça baixa e os cabelos cobrindo os olhos. Daqui em diante, começaram a nos dar muitas mantas de couro. Aquela era a melhor gente que encontráramos até então, quanto ao corpo, vivacidade e habilidade. Eram os que melhor nos entendiam e que melhor nos respondiam a tudo que perguntávamos. Nós os chamamos de “o povo das vacas”, porque é ali que mais tem esse animal. Perguntamos a eles de onde haviam trazido o milho e nos disseram que viera de onde o sol se põe. Aproveitaram para contar que nos dois últimos anos haviam enfrentado grande seca, que arruinou quase toda a colheita [...]
Sem saber o que faríamos e que caminho pegar
que fosse mais proveitoso, ficamos dois dias com eles. Davam-nos feijão e
cabaça. A maneira deles cozinharem as cabaças era tão nova que quis descrevê-la
aqui para que se conheça como são diversos e estranhos os talentos e
habilidades dos homens humanos. Não têm panelas e, para cozinhar o que querem
comer, enchem meia cabaça grande de água e põem muitas pedras no fogo. Quando
vêem que as pedras estão ardendo, eles as pegam com tenazes de pau e as colocam
na água da cabaça, até que a fazem ferver. Quando a água está fervendo, colocam
o que querem comer e enquanto cozinha ficam tirando as pedras e pondo outras
mais quentes.
Cabeza de Vaca, 1400-?
Naufrágios e Comentários/ Álvar Nuñes; Tradução de Jurandir Soares dos Santos. Porto Alegre: L&PM, 1999, p 112-114.










