segunda-feira, 23 de junho de 2025

Canção de John Henry


                                                                   Canta Harry Belafonte

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Habilidade artesanal

O maior bem do trabalhador assalariado tem sido sua habilidade artesanal. Normalmente, entendemos como habilidade artesanal a habilidade de manipular habilmente as ferramentas e materiais de um ofício ou função. Mas a verdadeira habilidade artesanal é muito mais do que isso. O elemento realmente essencial não é a habilidade manual e a destreza, mas algo guardado na mente do trabalhador. Esse algo é, em parte, o conhecimento íntimo das características e usos das ferramentas, materiais e processos do ofício que a tradição e a experiência deram ao trabalhador. Mas além e acima disso está o conhecimento que lhe permite entender e superar as dificuldades que constantemente surgem das variações não apenas dos materiais e ferramentas, mas das condições sob as quais o trabalho deve ser feito.

No passado, em geral, a manipulação habilidosa das ferramentas e materiais e esse ofício do cérebro estavam reunidos na pessoa do trabalhador e eram de sua posse. E é essa posse única do conhecimento artesanal e da habilidade artesanal por parte de um corpo de trabalhadores assalariados, ou seja, sua posse dessas coisas e a ignorância do empregador a respeito delas possibilitou aos trabalhadores se organizarem e imporem melhores termos aos empregadores. Dessa posse exclusiva depende, mais do que qualquer outro fator, a força do sindicalismo e a capacidade dos sindicatos de melhorar as condições de seus membros.

Sendo isso verdade, é evidente que o maior golpe que poderia ser dado contra o sindicalismo e os trabalhadores organizados seria a separação do conhecimento artesanal da habilidade do oficio.

 

Robert Franklin Hoxie (1868-1916)

 

Scientific Management and labor. New York, London. D. APPleton and Company, 1915. https://archive.org/details/scientificmanage00hoxi/page/n17/mode/2up .

Tradução minha


 

domingo, 27 de abril de 2025

O canto das lavadeiras


                                                      Lavadeiras do Vale do Jequitinhonha

quinta-feira, 27 de março de 2025

Primeiro encontro entre espanhóis e povos originários na América do Norte

[...] No outro dia seguimos adiante, indo a outra casa, onde comiam as mesmas coisas, mas onde já apresentaram uma nova maneira de nos receber. Estes [indígenas] não vieram ao nosso encontro, simplesmente colocaram o que queriam nos dar no meio da casa e sentaram-se em volta, virados para a parede, com a cabeça baixa e os cabelos cobrindo os olhos. Daqui em diante, começaram a nos dar muitas mantas de couro. Aquela era a melhor gente que encontráramos até então, quanto ao corpo, vivacidade e habilidade. Eram os que melhor nos entendiam e que melhor nos respondiam a tudo que perguntávamos. Nós os chamamos de “o povo das vacas”, porque é ali que mais tem esse animal. Perguntamos a eles de onde haviam trazido o milho e nos disseram que viera de onde o sol se põe. Aproveitaram para contar que nos dois últimos anos haviam enfrentado grande seca, que arruinou quase toda a colheita [...]

Sem saber o que faríamos e que caminho pegar que fosse mais proveitoso, ficamos dois dias com eles. Davam-nos feijão e cabaça. A maneira deles cozinharem as cabaças era tão nova que quis descrevê-la aqui para que se conheça como são diversos e estranhos os talentos e habilidades dos homens humanos. Não têm panelas e, para cozinhar o que querem comer, enchem meia cabaça grande de água e põem muitas pedras no fogo. Quando vêem que as pedras estão ardendo, eles as pegam com tenazes de pau e as colocam na água da cabaça, até que a fazem ferver. Quando a água está fervendo, colocam o que querem comer e enquanto cozinha ficam tirando as pedras e pondo outras mais quentes.

Cabeza de Vaca, 1400-?  

Naufrágios e Comentários/ Álvar Nuñes; Tradução de Jurandir Soares dos Santos. Porto Alegre: L&PM, 1999, p 112-114.