O maior bem do trabalhador assalariado tem sido sua habilidade artesanal. Normalmente, entendemos como habilidade artesanal a habilidade de manipular habilmente as ferramentas e materiais de um ofício ou função. Mas a verdadeira habilidade artesanal é muito mais do que isso. O elemento realmente essencial não é a habilidade manual e a destreza, mas algo guardado na mente do trabalhador. Esse algo é, em parte, o conhecimento íntimo das características e usos das ferramentas, materiais e processos do ofício que a tradição e a experiência deram ao trabalhador. Mas além e acima disso está o conhecimento que lhe permite entender e superar as dificuldades que constantemente surgem das variações não apenas dos materiais e ferramentas, mas das condições sob as quais o trabalho deve ser feito.
No passado, em geral, a manipulação
habilidosa das ferramentas e materiais e esse ofício do cérebro estavam reunidos
na pessoa do trabalhador e eram de sua posse. E é essa posse única do
conhecimento artesanal e da habilidade artesanal por parte de um corpo de
trabalhadores assalariados, ou seja, sua posse dessas coisas e a ignorância do
empregador a respeito delas possibilitou aos trabalhadores se organizarem e
imporem melhores termos aos empregadores. Dessa posse exclusiva depende, mais
do que qualquer outro fator, a força do sindicalismo e a capacidade dos
sindicatos de melhorar as condições de seus membros.
Sendo isso verdade, é evidente que o maior
golpe que poderia ser dado contra o sindicalismo e os trabalhadores organizados
seria a separação do conhecimento artesanal da habilidade do oficio.
Robert Franklin Hoxie
(1868-1916)
Scientific Management and labor. New York, London. D. APPleton and Company, 1915. https://archive.org/details/scientificmanage00hoxi/page/n17/mode/2up .
Tradução minha
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