quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O escravo negro Tebas

 Tebas, negro escravo

Profissão: alvenaria

Construiu a velha Sé

Em troca pela carta de alforria.

Trinta mil ducados que lhe deu padre Justino.

Tornou seu sonho realidade 

daí surgiu a velha Sé

Que hoje é o marco zero da cidade.

Exalto no cantar de minha gente

A sua lenda, seu passado, seu presente.

Praça que nasceu do ideal

E braço escravo.

É praça do povo

Velho relógio, encontro dos namorados

Me lembro ainda do bondinho de tostão

Engraxate batendo a lata de graxa

E camelô fazendo pregão.

O tira-teima do sambista do passado

Bixiga, Barra Funda e Lava-Pés

O jogo da tiririca era formado

O ruim caía e o bom ficava de pé.

No meu São Paulo, oi lelê, era moda

Vamos na Sé que hoje tem samba de roda.


Geraldo Filme (1927-1995)



 



 

 


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